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Pitadas de CNV e saúde mental nas Olimpíadas

Quem me conhece um pouco, sabe; prefiro experienciar a vida com todos os meus sentidos, que, apenas, através do olhar. Por essa razão, priorizo assistir filmes na telinha e na telona, que assistir outras coisas. Tudo isso para te contar que, não, eu não assisti a nada das Olimpíadas. Mas sim, como eu vivo em um mundo em que circulam os fatos, as pessoas e as situações, fiquei sabendo de uma tal mocinha que deixou muita gente incomodada.


Antes de falar dela, é legal conhecer um pouco mais de perto a trajetória das pranchas de isopor ao ouro nas Olimpíadas, conquista do nosso surf, a primeira medalha de ouro para o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio.


Emocionante, lembrar que a atleta mais jovem a subir num pódio defendendo o Brasil na história dos Jogos Olímpicos, a Rayssa Leal, maranhense, ganhou uma medalha de prata, no skate feminino.

Inspiradora, a história da ginasta Rebeca de 22 anos, primeira brasileira campeã olímpica da modalidade, que superou 3 lesões graves no joelho e chegou a pensar em abandonar o esporte, mas a mãe lhe deu apoio para jamais desistir.



Histórias de superação também atravessaram os pódios, na pessoa da Ana Marcela que superou uma doença autoimune e conquistou ouro em Tóquio em maratona aquática. Também assim é a história da judoca Mayra Aguiar, que superou uma cirurgia no joelho e fez história ao conquistar bronze no Japão.

Foram esses e muitos outros legados; estou apenas, falando do Brasil. Se a gente for um pouquinho mais longe, chega ao exemplo dado pelos atletas Mutaz Essa Barshim, do Catar, e Gianmarco Tamberi, da Itália – que por acaso são amigos dentro e fora das pistas – e concordaram em dividir a medalha de ouro no salto em altura masculino.[1]


Mas, nesse texto, quero dar um recadinho breve sobre um outro legado deixado nessa competição, um legado de ganha-ganha. Vou falar de limite-permissão.


Quem já me leu em outros textos, sabe o quanto dou importância à saúde mental, à permissão para não sorrir e outras tantas permissões que a gente pouco se dá nessa vida. Pois bem, desistir de competir, por vezes, significa encorajar-se a si, de si. Expor a competição, o time, a equipe, por vezes, significa proteger a si, cuidar de si.


Obrigada, Biles, por sua humildade, coragem, valentia e, sobretudo, vulnerabilidade! A sua voz ecoa em nós e faz surgir outras vozes, caladas em si, em nós. Perdidas e faladas no outro. Silenciadas! Obrigada por tanto!


Impossível saber, exatamente, o que aconteceu aí, mas o que ouvi dizer e li, me fez dar um grande sorriso interno aqui. Quanto poder, força e potência, há no recuar para o outro e inundar a si! Sincronizar o corpo e a mente são favores que a gente faz ao mundo.


E quem estuda Comunicação Não Violenta sabe, cuidar de si é cuidar do mundo. É não desistir do mundo. Se importar com ele. É estar mais pleno e em conexão. Com empatia e autocompaixão.


Isso tudo é Comunicação Não Violenta, numa outra roupagem, roupagem esportiva, com toda a performance que o nosso ser compassivo nos possibilita.


Como diria o jornal El país, em uma reportagem sobre ela: “talvez Simone Biles acabe não sendo a melhor de todos os tempos, mas será por escolha própria, porque vai querer ser feliz, talvez. Foi o que pareceu de agasalho e chinelos, vivendo sua vida e nada mais.”


[1] Inspirações no site: https://razoesparaacreditar.com/

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