Como criar espaços de escuta no trabalho?

Em minha atuação como professora uma sensação comum é a de que eu não sou escutada no ambiente de trabalho, e, por outro lado, sinto que escuto pouco também... Afinal, o que eu sei sobre minhas colegas? Como elas realmente estão se sentindo? Temos dificuldades e possibilidades em comum?


Quantas vezes participei de reuniões sentindo tristeza e cansaço, mas mesmo assim fiquei ali, sem me expressar e recebendo mais questões e tarefas que só aumentaram minha angústia?


Fico aqui me perguntando: em uma reunião de trabalho, se soubéssemos que a maior parte das pessoas está sentindo-se cansada e angustiada, poderíamos adotar estratégias diferentes? Será que ter um espaço para escuta nos ajudaria na comunicação e principalmente na conexão?


Tenho tido uma experiência muito rica e profunda com minhas colegas de trabalho e, mesmo estando distantes e conectadas pelas telas, temos tornado a nossa vida mais maravilhosa. Hoje compartilho com vocês um pouco desta experiência.


Como fazer uma roda de escuta no trabalho?


Há nove meses tenho realizado com algumas professoras da escola em que trabalho um grupo de estudos semanal sobre Comunicação Não Violenta e Justiça Restaurativa. Neste grupo além dos estudos realizamos a nossa querida e preciosa roda de escuta.


Começamos o encontro com um momento de conexão a partir da arte e logo depois passamos para o momento de escuta. A oportunidade da fala é dada para cada participante do grupo que, caso sinta-se confortável, conta como está (de verdade), como foi a semana, quais sentimentos estão vivos e as necessidades atendidas ou não. Nesta roda enquanto uma colega fala, o grupo escuta sem interrupções, com presença e empatia.


A nossa roda de escuta dura em média 40 minutos pois temos em torno de 15 a 20 pessoas por encontro. Escolhemos fazer isso semanalmente por perceber a riqueza deste momento em nossa vida pessoal e profissional.


Quando temos necessidade de focar mais no estudo ou não temos tanta disponibilidade de tempo fazemos a escuta inicial em duplas, nas salas simultâneas. Assim em 6 minutos realizamos nossa prática.


Outra possibilidade é destinar 5 minutos iniciais das reuniões para que cada participante fale ou escreva em poucas palavras como está chegando. Assim pode-se ter uma noção de como o grupo está e destinar um tempo para acolhimento se for necessário.


Quais frutos temos colhido da nossa prática?


Ao realizar nossas rodas uma das coisas que fica mais viva é a percepção da humanidade compartilhada. Saber que aquela ansiedade, preocupação e medo não acontecem só comigo, que o turbilhão de sentimentos também passa pelas outras pessoas e que não sou “errada” ou “frágil” por sentir isso. Os relatos mostram que após a roda há uma sensação de conexão e comunidade, o alívio de não se sentir só na angústia, tranquilidade, medo, esperança e em tantos outros sentimentos que passam por nós.


Além disso, ao nos escutar podemos perceber coisas em comum e pensar em estratégias coletivas para melhorar o nosso ambiente de trabalho, trazendo mais leveza e apoio para o nosso fazer cotidiano.


Alguns desafios...


O primeiro desafio que enfrentei foi considerar o tempo da roda como um “ganho” e não como uma “perda de tempo”. Fui percebendo que naquele momento estamos experimentando e vivenciando os nossos estudos, nos conectando e criando laços que fazem muita diferença em nosso fazer profissional. Percebo que ter este espaço diminui conflitos e melhora a qualidade do que fazemos por criar a possibilidade de apoio e compreensão.


Outro desafio é criar um espaço seguro para que cada um sinta-se confortável para realizar uma expressão autêntica. No meu caso, por estar facilitando o grupo, eu mesma comecei o movimento e me expressei com honestidade. Compartilhei situações, sentimentos e necessidades que estavam vivos em mim. Algumas colegas também começaram este movimento e hoje temos um espaço seguro e acolhedor para dizer das nossas alegrias e tristezas.


Por aqui tem sido muito transformador ter este espaço e tem nos ajudado muito a vencer as dificuldades deste momento. Por isso finalizo minha partilha convidando você a começar um espaço de escuta em seu trabalho ou família.


Você pode seguir algum dos formatos que indiquei aqui ou criar um para sua realidade. Se quiser me contar depois como foi a experiência, vou adorar saber!




Pedagoga e professora dos anos iniciais do ensino fundamental. Facilitadora na Escola de Empatia. Voluntária na Sociedade São Vicente de Paulo atua no atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade e realiza formações sobre empatia, acolhida e trabalho social. Formação em Yoga, Mandalas e Neuropedagogia e Teatro do Oprimido.

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