Quando escutar é violento!


Costumamos normalmente nos sentir violentados pela fala do outro. O que o outro diz nomeio como agressivo e me sinto vítima dessa fala. Não quero dizer que não existem falas agressivas e violentas, existe e muito! Mas a perspectiva que quero propor a refletir é outra: quando a nossa escuta é violenta? Quando ao escutamos algumas palavras ou olhamos (porque escutamos para além do sentido da audição, esse sentido nos proporciona a condição biológica de ouvir) para alguma situação e interpretamos como violência! Quando o outro está a falar dos sentimentos ou da opinião autêntica dele e por vermos nossas expectativas frustradas e necessidades não atendidas, nos violentamos, responsabilizando a fala do outro por isso. É sobre essa escuta que quero refletir. Estava recentemente em uma conversa com uma amiga e sobre a situação de um encontro ela me disse: - Eu o convidei para encontrarmos e ele respondeu que não iria porque teve um dia cheio e estava cansado. Ele é um folgado, não se interessa! Sempre o encontro mesmo cansada! Minha primeira reação ao ouvi-la foi concordar. " Poxa ele podia fazer um esforço maior! Isso demonstraria que ele está interessado! " Ainda bem que antes de responder entendi meu pensamento e percebi que talvez essa fosse a forma que eu e até minha amiga usaríamos para demonstrar interesse, indo ao encontro de alguém mesmo que estivéssemos cansadas. Mas isso não quer dizer que todos demonstram interesse dessa forma, e nem que isso demonstra falta de interesse dele. Ele apenas expressou autenticamente seus sentimentos e a necessidade de descansar. Só aí respondi: - Mas você parou para pensar que ele apenas disse que está cansado! Ele não disse que não se interessa por você! Você se sentiu frustrada com a resposta negativa? Gostaria de mais atenção e presença dele? Nossa conversa seguiu refletindo sobre nossas avaliações e interpretações do outro a partir das nossas perspectivas. Marshall no seu livro Comunicação Não Violenta técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais, diz :

"Um tipo de comunicação alienante da vida é o uso de julgamentos moralizadores que subentendem uma natureza errada ou maligna nas pessoas que não agem em consonância com nossos valores. Tais julgamentos aparecem em frases como: "O teu problema é ser egoísta demais", "Ela é preguiçosa", "Eles são preconceituosos", "Isso é impróprio". (ROSEMBERG, pg. 37)

As vezes não chegamos a comunicar essas frases ao outro, mas fazemos conosco, em pensamento, criando a partir daí, comportamentos na nossa relação que dificultam a conexão e, consequentemente a atender as necessidades colocadas ou o pedido exposto. A reflexão é convidar a atentar a nossa escuta para a não violência, para reconhecermos as necessidades que nos aparece na fala do outro, antes de interpretar esta fala. Limpando os ouvidos dos julgamentos, interpretações e até da nossa própria história.

“A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância. Se você é capaz de manter sua mente constantemente rica através da arte de escutar, não tem o que temer. Esse tipo de riqueza jamais lhe será tomado. Essa é a maior das riquezas” (Dalai Lama)

Bruna Perillo

Psicóloga clínica, especializada em Gestalt-Terapia, apaixonada pelo desenvolver humano. Desenvolvendo-se. Interessada e envolvida com a promoção da habilidade de Empatia e Comunicação Não violenta. Buscando um mundo mais sustentável e coerente com as necessidades humanas. No caminho, persistindo, procurando, encontrando e co-construindo.

Co- criadora da Escola de Empatia, um projeto que visa multiplicar a empatia nos âmbitos emocionais, sociais e ambientais

#Escuta #CNV #empatia

Acesse

curta a escola

gostou da escola?

Assine nossa newsletter e receba nossa agenda e conteúdos de empatia!

contato

escoladeempatia@gmail.com
Belo Horizonte, MG, Brasil.
Copyright © 2016. Todos os direitos reservados.